"Eu, comovido a Oeste"


© Rui J G Ramos, 2020 | archive h387, h388

"Quando eu morrer, a terra aberta
Me beba de um trago
E esqueça.
Aos deuses minha oferta
É levar o que trago:
Eu, dos pés à cabeça.

Assim, com ervas altas
Acabam os que começam.
Que Deus nos perdoe as faltas!
Dizem: "A terra que nos come":
Eu digo: "A que nos bebe" - e basta.
Somos só água que se some:
Choveu - e fomos 
Na vida gasta."

Vitorino Nemésio (1901-1978), in Eu, Comovido a Oeste (1940)

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